– Crônicas e Críticas; Humor e Acidez; Idéias Espinafradas por Tiago Xavier

Posts com tag “Música

O Amor Acaba

Segue abaixo uma musiquinha de minha autoria. Ela é baseada em uma crônica de mesmo nome, do escritor Paulo Mendes Campos. A música eu fiz recentemente, mas a letra eu havia escrito há 14 anos, quando era um adolescente revoltado de 17 anos. Meu pai havia me visitado e esqueceu em casa um livro de crônicas do Paulo Mendes Campos. Tenho o livro até hoje. Relendo o livro, lembrei que essa crônica havia me inspirado a escrever um poema. Comecei a vasculhar  os cadernos velhos e o encontrei, escrito numa folha dobrada. Aí resolvi fazer essa música:

O AMOR ACABA (Tiago Xavier)

A sala ficou vazia de repente
E eu não me despedi na sexta feira
A sala bem vazia,
de repente, a sala fria vivia versos em prosa.

Gente boa e gente inútil
Que berrava e sorria
Mas a alma do homem é boba e vadia.
Quando olhava em seus olhos
me perdoava de todos os crimes cometidos
Meu plenos pecados, assumidos
com a culpa de um assassino.

Pois o amor acaba
e a sala fica vazia.
O amor troca o sol da manhã
pela noite fria.
O amor acaba
numa esquina, por exemplo
no meio da rua.
O amor acaba num domingo de lua.
A qualquer hora, por qualquer motivo
o amor acaba pra recomeçar mais vivo.


Miss Smith To You

miss-smith-600x600

Fazia tempo que eu não ouvia o maravilhoso disco “Miss Smith To You”, de Lavay Smith (acompanhada da banda Her Red Hot Skillet Lickers). Lavay Smith é reconhecida internacionalmente como ” The Queen Of Classic Jazz & Blues” – estilo autêntico da década de 40 e 50. Um jazz pulsante de muita qualidade. Em algumas faixas, da até vontade de dançar, como em “Everybody’s Talkin’ bout Miss Thing”.

Ao vivo, Miss Smith é contagiante:


Préliminaries – Iggy Pop

iggy-pop-preliminaires_gallery_primary

Nos últimos dias estou ouvindo bastante o álbum Préliminaries, do músico Iggy Pop. Lançado em 2009, o disco foi inspirado no livro “A possibilidade de uma ilha” (“La Possibilité d’une ilê”), escrito pelo francês Michel Houellebecq. Em uma entrevista para a Folha de São Paulo, Iggy explica um pouco de como o livro do escritor francês o influenciou na composição do disco:

Ele [o livro] fala sobre morte, sexo, o fim da raça humana e também sobre outras coisas bastante engraçadas(…). Li o livro de forma verdadeiramente prazerosa, assim que ele foi lançado, e, na minha cabeça, estava compondo as músicas que seriam a trilha sonora da minha alma ao ler aquela história

Em grande parte das canções é possível notar uma base de jazz e da cultura musical da cidade de New Orleans (onde futuramente pretendo passar uma temporada para concluir meu doutorado), incrementado de alguns efeitos eletrônicos.

Além da influência da literatura francesa e da verve musical jazzística, o álbum também traz a música How insensitive, uma versão em inglês da canção “Insensatez”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. (na minha opinião, ficou melhor que a original).

Eu destaco as seguintes faixas, que ando ouvindo direto – King of The Dogs e He’s Dead, She’s Alive. Outro destaque vai para a arte da capa e do encarte do disco, feita por Marjane Satrapi, autora da historia em quadrinhos Persépolis. A iraniana é amiga de Iggy desde 2007. Iggy, na época, emprestou sua voz para o tio da protagonista na versão animada, em inglês, de Persépolis.

Para ouvir o álbum completo, é só dar o play: