– Crônicas e Críticas; Humor e Acidez; Idéias Espinafradas por Tiago Xavier

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Morre o Grande Paulo Vanzolini

São Paulo perde um dos seus maiores compositores. Autor de sambas famosos como “Ronda” e “Volta por Cima”. Paulo Vanzolini morreu na noite deste domingo, aos 89 anos , no Hospital Albert Einsten, onde estava internado desde quinta feira passada.

Sem dúvida, sempre foi o meu compositor favorito. Suas canções são crônicas da cidade, que mostram que ainda há poesia na vida.

Além de compositor, foi um grande acadêmico – formou-se em medicina em 1947 e no ano seguinte, foi para os Estados Unidos, onde obteve o doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard. Foi um dos idealizadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e ativo colaborador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

Deixo aqui, como forma de homenageá-lo, o documentário “Um Homem de Moral” (2009), dirigido brilhantemente por Ricardo Dias,  sobre a vida e a obra do grande Paulo Vanzolini:

O Amor Acaba

Segue abaixo uma musiquinha de minha autoria. Ela é baseada em uma crônica de mesmo nome, do escritor Paulo Mendes Campos. A música eu fiz recentemente, mas a letra eu havia escrito há 14 anos, quando era um adolescente revoltado de 17 anos. Meu pai havia me visitado e esqueceu em casa um livro de crônicas do Paulo Mendes Campos. Tenho o livro até hoje. Relendo o livro, lembrei que essa crônica havia me inspirado a escrever um poema. Comecei a vasculhar  os cadernos velhos e o encontrei, escrito numa folha dobrada. Aí resolvi fazer essa música:

O AMOR ACABA (Tiago Xavier)

A sala ficou vazia de repente
E eu não me despedi na sexta feira
A sala bem vazia,
de repente, a sala fria vivia versos em prosa.

Gente boa e gente inútil
Que berrava e sorria
Mas a alma do homem é boba e vadia.
Quando olhava em seus olhos
me perdoava de todos os crimes cometidos
Meu plenos pecados, assumidos
com a culpa de um assassino.

Pois o amor acaba
e a sala fica vazia.
O amor troca o sol da manhã
pela noite fria.
O amor acaba
numa esquina, por exemplo
no meio da rua.
O amor acaba num domingo de lua.
A qualquer hora, por qualquer motivo
o amor acaba pra recomeçar mais vivo.

Revista Trama – Entrevista com Nicolau Sevcenko

Sevcenko

Venho aqui fazer um convite aos amigos a lerem a entrevista que Nicolau Sevcenko, professor de Harvard, concedeu aos meus amigos, o professor Martin Cezar Feijó (Universidade Presbiteriana Mackenzie) e o Professor Christopher Dunn (Tulane University). A entrevista foi concedida no ano passado para a revista Trama Interdisciplinar do programa de pós-graduação em Educação, Arte e História da Cultura do Mackenzie. Eu só fiz a transcrição da entrevista e acrescentei algumas notas de rodapé.

Clique aqui para ler a entrevista em PDF

Ce n’est pas un orgasme

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Fiz este desenho em homenagem aos meus amigos que comigo fazem doutorado em Educação, Arte e História da Cultura no Mackenzie, e às nossas elucubrações teóricas sobre o deleite de comer Nutella. Ainda faremos uma série de trabalhos que irá rodar o mundo tendo a iguaria achocolatada como elemento fundamental na construção de obras artísticas (Bullshit).

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Imagem retirada da internet

Homenagem especial aos amigos Breno Bitarello e Kellen Carvalho, que me incentivaram a voltar a desenhar. A Kellen ainda fez a ligação do meu desenho com uma música do Criolo (que eu desconhecia), que diz o seguinte:

–  ”Cientista social, Casas Bahia e Tragédia gosta de favelado mais que Nutella”


E um beijo para René Magritte.

Miss Smith To You

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Fazia tempo que eu não ouvia o maravilhoso disco “Miss Smith To You”, de Lavay Smith (acompanhada da banda Her Red Hot Skillet Lickers). Lavay Smith é reconhecida internacionalmente como ” The Queen Of Classic Jazz & Blues” – estilo autêntico da década de 40 e 50. Um jazz pulsante de muita qualidade. Em algumas faixas, da até vontade de dançar, como em “Everybody’s Talkin’ bout Miss Thing”.

Ao vivo, Miss Smith é contagiante:

Wednesday Night Prayer

Andando próximo a igreja São Judas, sob uma garoa fina, eu vi uma moça que me chamou a atenção. Não por ser bonita, ou pela bela tatuagem em seu braço esquerdo. O fato dela estar parada, orando baixinho em frente a igreja, enquanto as pessoas corriam apressadas para seus compromissos, ou para se proteger da chuva, é que fez com que eu a observasse mais atentamente. Sou um ateu convicto, mas admiro pessoas que reservam um tempo para aquilo que acreditam – seja o sobrenatural ou seja o mundo palpável. Interessante é que, no momento em que a vi, ali parada, concentrada e molhada, nos meus fones de ouvido estava tocando Wednesday Night Prayer, de Charles Mingus. Tudo bem que hoje é sexta-feira, e não quarta. Mas a coincidência me levou a fazer este desenho:

A iluminada

E aqui vai a música que eu estava ouvindo no momento:

Préliminaries – Iggy Pop

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Nos últimos dias estou ouvindo bastante o álbum Préliminaries, do músico Iggy Pop. Lançado em 2009, o disco foi inspirado no livro “A possibilidade de uma ilha” (“La Possibilité d’une ilê”), escrito pelo francês Michel Houellebecq. Em uma entrevista para a Folha de São Paulo, Iggy explica um pouco de como o livro do escritor francês o influenciou na composição do disco:

Ele [o livro] fala sobre morte, sexo, o fim da raça humana e também sobre outras coisas bastante engraçadas(…). Li o livro de forma verdadeiramente prazerosa, assim que ele foi lançado, e, na minha cabeça, estava compondo as músicas que seriam a trilha sonora da minha alma ao ler aquela história

Em grande parte das canções é possível notar uma base de jazz e da cultura musical da cidade de New Orleans (onde futuramente pretendo passar uma temporada para concluir meu doutorado), incrementado de alguns efeitos eletrônicos.

Além da influência da literatura francesa e da verve musical jazzística, o álbum também traz a música How insensitive, uma versão em inglês da canção “Insensatez”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. (na minha opinião, ficou melhor que a original).

Eu destaco as seguintes faixas, que ando ouvindo direto – King of The Dogs e He’s Dead, She’s Alive. Outro destaque vai para a arte da capa e do encarte do disco, feita por Marjane Satrapi, autora da historia em quadrinhos Persépolis. A iraniana é amiga de Iggy desde 2007. Iggy, na época, emprestou sua voz para o tio da protagonista na versão animada, em inglês, de Persépolis.

Para ouvir o álbum completo, é só dar o play:

 

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