– Crônicas e Críticas; Humor e Acidez; Idéias Espinafradas por Tiago Xavier

Lovers of Jazz And Blues

Miss Smith To You

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Fazia tempo que eu não ouvia o maravilhoso disco “Miss Smith To You”, de Lavay Smith (acompanhada da banda Her Red Hot Skillet Lickers). Lavay Smith é reconhecida internacionalmente como ” The Queen Of Classic Jazz & Blues” – estilo autêntico da década de 40 e 50. Um jazz pulsante de muita qualidade. Em algumas faixas, da até vontade de dançar, como em “Everybody’s Talkin’ bout Miss Thing”.

Ao vivo, Miss Smith é contagiante:


Wednesday Night Prayer

Andando próximo a igreja São Judas, sob uma garoa fina, eu vi uma moça que me chamou a atenção. Não por ser bonita, ou pela bela tatuagem em seu braço esquerdo. O fato dela estar parada, orando baixinho em frente a igreja, enquanto as pessoas corriam apressadas para seus compromissos, ou para se proteger da chuva, é que fez com que eu a observasse mais atentamente. Sou um ateu convicto, mas admiro pessoas que reservam um tempo para aquilo que acreditam – seja o sobrenatural ou seja o mundo palpável. Interessante é que, no momento em que a vi, ali parada, concentrada e molhada, nos meus fones de ouvido estava tocando Wednesday Night Prayer, de Charles Mingus. Tudo bem que hoje é sexta-feira, e não quarta. Mas a coincidência me levou a fazer este desenho:

A iluminada

E aqui vai a música que eu estava ouvindo no momento:


Préliminaries – Iggy Pop

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Nos últimos dias estou ouvindo bastante o álbum Préliminaries, do músico Iggy Pop. Lançado em 2009, o disco foi inspirado no livro “A possibilidade de uma ilha” (“La Possibilité d’une ilê”), escrito pelo francês Michel Houellebecq. Em uma entrevista para a Folha de São Paulo, Iggy explica um pouco de como o livro do escritor francês o influenciou na composição do disco:

Ele [o livro] fala sobre morte, sexo, o fim da raça humana e também sobre outras coisas bastante engraçadas(…). Li o livro de forma verdadeiramente prazerosa, assim que ele foi lançado, e, na minha cabeça, estava compondo as músicas que seriam a trilha sonora da minha alma ao ler aquela história

Em grande parte das canções é possível notar uma base de jazz e da cultura musical da cidade de New Orleans (onde futuramente pretendo passar uma temporada para concluir meu doutorado), incrementado de alguns efeitos eletrônicos.

Além da influência da literatura francesa e da verve musical jazzística, o álbum também traz a música How insensitive, uma versão em inglês da canção “Insensatez”, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. (na minha opinião, ficou melhor que a original).

Eu destaco as seguintes faixas, que ando ouvindo direto – King of The Dogs e He’s Dead, She’s Alive. Outro destaque vai para a arte da capa e do encarte do disco, feita por Marjane Satrapi, autora da historia em quadrinhos Persépolis. A iraniana é amiga de Iggy desde 2007. Iggy, na época, emprestou sua voz para o tio da protagonista na versão animada, em inglês, de Persépolis.

Para ouvir o álbum completo, é só dar o play: