– Crônicas e Críticas; Humor e Acidez; Idéias Espinafradas por Tiago Xavier

Espinafre Lírico

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Páginas Amareladas do Facebunda

poeminha


A Mulher da Janela

 

A Mulher da Janela (Tiago Xavier)

Parada à janela da rua
ela derrama sua lágrima
cada gota, uma história
gemido de memória
feliz ou trágica.

uns braços envolvem consolo
abrigam-na tão vulnerável
fazendo-a chorar, segura
da lágrima, a mais pura
sente-se mais confortável.

Na doce friagem
a brisa se escandaliza
seu sonho profundo
forma a imagem ideal
formata-se na cor
do desejo teatral.

Na noite seguinte, acordada
sua sina continua
parada à janela da rua
ela derrama sua lágrima
cada gota, uma história
gemido de memória
feliz ou trágica.


Nós

nós-de-dedos

 

Nós (Tiago Xavier)

 

Desfaz e refaz pra novamente desfazer

Um nó que já foi feito antes de você nascer
Desfeito e refeito

Desfaz
Depois refaz
Pra novamente desfazermos

Um nó
Entrelaçado
Antes de nós dois nascermos

Desata e reata
E aos poucos nos perdemos
Desfeitos e refeitos
Só porque nós nos queremos

Separados pelo mesmo laço
que nos une
Agarrados no pecado dito impune…


VERMILLUS

Menina ruiva

 

Vermillus (Tiago Xavier – 23/08/2013)

Vermelho é a cor da vida.
Vermelho é a cor da alma, corada, suada.
Vermelho de ódio, vermelho do sangue, vermelho de vergonha, sem vergonha alguma.
Do proibido, do violento, do apaixonante e do amoroso.
Vermelho é a cor do pecado, vermelho é a cor do sexo.
Vermelho é a cor das rosas, que apesar do nome, são vermelhas.
Sangue de Adônis, morto por um javali durante uma caçada.
Vermelho de Afrodite.
Vermelho é a cor do poder.
Vermelho, encarnado, escarlate.
É a cor do demônio, quando o humano chega ao paraíso.
Vermillus – pequeno verme da luz latina.
Fertilidade da terra vermelha.
Vermelho do proibido, do violento, do apaixonante e do amoroso.
Não ruborizem, avermelhem-se – pois vermelho é a cor do prazer.


POEMA SILENCIOSO

Poema Silencioso (Tiago Xavier)

berro

Imagem de Gonçalo Pena http://goncalopena2.blogspot.com.br/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um grito agudo, adormecido
Há tanto tempo
Hoje está mudo, desolado
Vive no escuro, soterrado
Um grito mudo em estado bruto.

Quase um sussurro.

Abafado no esforço diário
De contentar-se com o silêncio
Um berro preso, engasgado
Há tempos presidiário
Sinfonia dos mais íntimos segredos…


Dia da Poesia

Dia da Poesia (Tiago Xavier – 14/03/2012)

Obra Eros, da minha amiga Beti Timm (Nanquim)

14 de março
quem diria ?
é dia da poesia.

No dia do verso
exerço
de forma perniciosa
uma prosa
que superestima a rima.
um canto de amor à Erato
de fato
a mais romântica das nove meninas.


Poema do Adeus

Poema do Adeus (Tiago Xavier – 12/02/2012)

Obra da minha amiga Beti Timm

Sim.
Fostes expelida.
Defenestrada.
Como berne, em processo de cura epidérmica.
Como verme – ancilostomíase, helmintíase…
Na verdade,
está mais pra platelminto, tamanha a chatice.

Se terias chances?
Ah, se ao menos fosse calipígia…
poderia até considerar…

Insisto no Platelminto !